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Doenças da Família Moderna – 8ª Parte

Querido leitor(a), estamos caminhando para o final de nossa série “Doenças da Família Moderna”. Talvez você ainda não tenha lido os textos anteriores, então, quero incentivar a você que os leia, principalmente você que é pai ou mãe ou que está pensando em constituir uma família saudável. Nosso propósito aqui é abençoar sua vida e de sua família.

Boa leitura!

AMOR DESREGRADO

O amor desregrado é o inverso do legalismo autoritário. É o amor sem regras, que se caracteriza pela falta de limites. É uma forma de relacionamento que não ajuda a pessoa amada a construir parâmetros de justiça, honestidade e respeito ao outro.

“Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo”. (1 Coríntios 13.6)

O amor sem regras se caracteriza pelo oposto do legalismo. Não impõe nenhum limite, sorri até das coisas erradas que as pessoas amadas fazem. Quando uma família vive esse tipo de relação, o tempo fará com que ela caia em ruínas, porque não possui estruturas para resistir às tempestades da vida. A Bíblia nos ensina que quem semeia vento colhe tempestade, e algumas famílias estão fazendo isso pela falta de regras e de respeito ao próximo.

Vivemos um tempo em que a sociedade diz que tudo é possível. Não há respeito a valores ou limites. Tudo é relativo, e vemos as consequências disso na sociedade. Um exemplo é o daqueles jovens de Brasília que queimaram vivo um índio. São pessoas de classe média, educadas em lares certamente parecidos com os de muitos dos leitores deste texto. O problema é a falta de limites. Nas escolas isso também é visível. Há problemas tremendos de disciplina nos estabelecimentos particulares e públicos porque não há respeito pela autoridade. A lei, visando impedir que crianças sejam maltratadas, tirou de professores a autoridade para corrigir, agora quer fazer o mesmo com os pais. Para impedir a violência e abusos de autoridade praticados por uma minoria, estão planejando uma lei que punirá pais que corrijam seus filhos. A correção, a disciplina é aplicada para ensinar e deve ser aplicada com amor.

E onde se aprende a viver com as regras e os limites? É em casa, em nenhum outro lugar. Quando não se ensina cedo os limites da convivência, a vida acabará ensinando. Mas esse aprendizado trará tanto sofrimento que dificilmente valerá à pena. Filhos desobedientes a seus pais, são naturalmente desobedientes às demais autoridades, têm problemas para acatar ordens, mesmo as mais simples. Frequentemente são os que desobedecem sinais de trânsito, são multados, desacatam autoridades. Por quê? Porque não aprenderam obediência em casa. O triste é que a vida vai ensinar e, provavelmente da maneira mais difícil.

Amor desregrado produz indivíduos desregrados, exigentes, egoístas, déspotas. Esses indivíduos são de difícil convivência e estão sempre tentando chamar atenção para si.

RELACIONAMENTO, LUGARES, IDADE

É possível ver claramente algumas maneiras pelas quais a sociedade contemporânea tenta flexibilizar os limites da vida em família, e as respostas que a vida dá a essas iniciativas. Uma delas é o tal “relacionamento aberto”. O que se prega por aí hoje em dia é que o amor não precisa ter os limites da fidelidade. Tem muita celebridade por aí fazendo propaganda disso: “Você faz o que você quiser, eu faço o que eu quiser, e continuaremos nos amando”, dizem. É uma grande mentira! Nunca vi um casal que viveu um relacionamento aberto continuar casado. Aqueles, entre os famosos, que vivem desta maneira, desistem deste relacionamento descompromissado e procuram outro que os satisfaçam. A apologia do relacionamento aberto existe, mas está provado que não funciona e só acarreta sofrimentos.

Outro tipo de vento que as pessoas andam cultivando é o dos lugares impróprios para os adolescentes. Deixamos de lado valores e princípios, e começamos a achar normais os barzinhos, as festas, as amizades, os bailes, os shows… Os pais que continuam a repetir apenas “pode, pode, pode, pode…” vão colher tempestade daqui a pouco – por conta de comportamentos impróprios, drogas, promiscuidade sexual, alcoolismo na sua casa. É preciso impor limites! Milhares de adolescentes estão perdendo suas vidas em “baladas” regradas a bebidas e drogas. Eles estão desorientados, porque quem deveria ser o norteador passou a ser o permissivo. Pais e mães que trabalham fora, tentam compensar a ausência permitindo aos filhos acesso ilimitado à internet, ao telefone, aos amigos, às saídas. Filhos sem limite serão adultos sem limites. Esse ciclo vicioso precisa ser interrompido, pois a sociedade está cada dia mais corrompida.

Estamos vivendo também tempos em que os relacionamentos são sem limites. Um dos grandes problemas da sociedade brasileira hoje é a gravidez entre meninas de 14, 15, 16 anos ou até menos, 12, 13. É a tempestade de quem semeou relacionamentos sem limites. A dor e o despreparo destas meninas poderia ser evitado se elas ouvissem mais vezes o “não”.

AS FAMÍLIAS PRECISAM TER LIMITES

Mas como impor limites quando se vive em ambiente em que a própria noção de família está quebrada? Imagine um encontro com uma pessoa que você não via há tempos, e ela começa a mostrar as fotos e explica:

Esse aqui foi o meu primeiro marido, e esse é o meu filho com o terceiro marido. Ele com a namorada, que é filha do meu quarto marido. Nós todos somos uma grande família…

Parece bonito, mas esta nova realidade tem trazido grande confusão às mentes e corações da nova geração. Ainda há fatores complicadores, como “irmãos postiços” ou “meio irmãos” se apaixonando por seus irmãos. Os vínculos familiares tão preciosos estão distorcidos e gerando distorção e grande confusão. É preciso fazer algo para deter a marcha do amor sem limites, sem regras.

Para uma família viver em comunhão precisa haver limites os limites que o amor impõe. Esses são valores e princípios eternos, que demarcam o nosso lugar na vida. Se a casa não estiver construída sobre os valores e princípios da Palavra de Deus, haverá sofrimento. Se a educação dos filhos não estiver pautada nesses mesmos pilares, se o jeito de viver não estiver sintonizado com o Pai, esse amor desregrado vai arrebentar com a família.

Antigamente éramos nós, os pastores, que falávamos isso. Agora são os psicólogos, e eles dizem assim: excesso de repressão estraga, mas excesso de amor também estraga. Pode pegar qualquer livro moderno de psicologia que isso está lá. Mas a palavra de Deus já falava há tanto tempo… Os psicólogos estão tentando corrigir erros de percurso, mas a ausência de regras e todo o aparente prazer que ela trouxe está sendo muito difícil de ser abandonado. É preciso fazer algo já, o mais depressa possível. A década de 60 produziu uma geração conhecida como adepta do “paz e amor”. Muitos optaram por sexo, drogas e “rock and roll”, mas o preço pago por esta opção foi alto: abandono, divórcio, filhos fora do casamento, desestrutura familiar, falta de limites. O resgate aos valores precisa acontecer para que a próxima geração seja saudável e estruturada.

DESAFIO PARA A FAMÍLIA CRISTÃ

A sociedade que esquece os seus limites não consegue sobreviver. E a lista deles inclui justiça, verdade, honestidade, respeito próprio, valorizar o reino de Deus e a sua justiça, a santidade. Se não buscamos estas coisas, nossa casa será assolada pelas tempestades. A história tem mostrado que cada sociedade que pensou que era a mais forte, a mais avançada da terra e esqueceu-se dos seus limites, não sobreviveu. A ruína veio no momento em que ela perdeu os seus valores e seus princípios.

A família cristă tem renovado neste século o desafio de ser sal e luz neste mundo. Vivemos um tempo em que não se acredita mais em família nem em casamento, uma época na qual os problemas sociais fizeram com que abríssemos mão dos nossos valores. E não dá para dizer que isso é coisa de jovens insensatos. Hoje em dia, vovôs e vovós estão vivendo juntos, sem casamento, porque são viúvos e não querem perder a pensão que recebem do governo e que perderiam se formalizassem o matrimônio. Que mensagem eles estão ensinando aos filhos e aos netos? Que não precisa casar, que o pecúlio é o mais importante…

A Palavra de Deus desafia a viver em família um amor genuíno, mas que não é desregrado. Um amor que é limitado pelos valores da Palavra de Deus, e que por isso constrói vidas saudáveis e nos abençoa.

Deus te abençoe!

Pr. Harley Carvalho

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